Onde estão os negros na USP?

A Universidade de São Paulo é branca, seus alunos e professores são brancos, os negros são minoria na USP, só são maioria entre os funcionários terceirizados da limpeza, segurança, alimentação, com condições de trabalho precárias, atraso de salários e outros ilegalidades denunciadas inúmeras vezes pelos funcionários e pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP.

A ideia de criar o mapa sobre a distribuição dos negros na USP surgiu depois de começar a pensar sobre novas formas de usar os mapas de pontos. Conversando com amigos que também são da Geografia sobre a ausência de professores negros e o desconhecimento e/ou falta de interesse sobre a situação do negro e a questão racial no Brasil, a ideia foi tomando forma.

Em outra conversa, falávamos sobre como a nossa percepção da USP era influenciada pelo ambiente da Geografia, explico, na Geografia há uma quantidade grande de alunos negros e alunos de baixa renda em comparação com restante da USP, sendo assim, tínhamos a falsa impressão de que as coisas haviam melhorado na USP desde que entramos, o que não é verdade.

 A USP possui dois programas de ações afirmativas, o Programa de Inclusão Social da USP(INCLUSP) e o Programa de Avaliação Seriada (PASUSP), que foram criados em 2006 mas que passam longe de atender a demanda por igualdade racial na USP.O Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) da IESP-UERJ lançou na sua revista uma execelente análise sobre o INCLUSP,  ela está disponível aqui.

Após ler o estudo da GEMAA, fica claro que os “programas” de inclusão sociais da USP são extremamente falhos e que desde a sua criação em 2006 não houveram avanços significativos, já que não incluem cotas nem critérios de renda familiar, apenas um critério racial que concede um bônus adicional de 5% na nota final e um critério de escola pública que permite que alunos de alta renda recebam bônus por terem estudados em escola pública.

Como demonstra essa reportagem do G1 não há calouros pretos em 6 das 10 carreiras mais concorridas da Fuvest. A reposta da Fuvest sobre a reportagem é risível e usa de um artifício para parecer que houve um aumento significativo, ela não fala o número real do aumento, quantos alunos entraram a mais que 2014, apenas a porcentagem: “número de alunos matriculados que se declararam pretos, pardos e indígenas (PPI) cresceu 8,4% em comparação a 2014. Ressalte-se, também, que está em andamento a discussão sobre as novas formas de ingresso na Universidade”.”

Agora os mapas, eles mostram a composição racial dos ingressantes na USP em 2010, no campus da Cidade Universitária, os dados são da FUVEST, do Relatório de Avaliação Socioeconômica. Porque 2010? por dois motivos, porque tinha que começa de algum lugar e nada melhor que começar pelo ano em que houve o último Censo e também para posteriormente ver como foram as mudanças no passar dos anos, o segundo motivo é porque é o ano em que entrei na USP.

A metodologia, cada ponto representa uma pessoa, no mapa os pontos aparecem nos prédios didáticos (onde são as aulas) das faculdades, um ou outro pode estar em outro prédio que não seja didático porque não consegui identificar pelo Google Maps, Open Street Map e o mapa da USP qual era o prédio didático. isso não altera em nada o resultado.

Os mapas também estão no Flickr, acesse aqui.

Clique na imagem para ampliar:

USP COM FACULDADES

Mapa racial da USP – Exibindo todos


 

BRANCOS

Mapa racial da USP – Exibindo os brancos


 

AMARELOS

Mapa racial da USP – Exibindo os amarelos


 

PARDOS

Mapa racial da USP – Exibindo os pardos


 

PRETOS

Mapa racial da USP – Exibindo os pretos


 

INDIGENAS

Mapa racial da USP – Exibindo os indígenas


 

Fica claro após visualizar os mapas que a maioria dos alunos da USP que entraram na USP em 2010 são brancos(77,5%), seguidos dos pardos (10,6%), asiáticos (9,54%), pretos (2,16%) e indígenas (0,22%).

Brancos Pardos Amarelos Pretos Indígena
77,47% 10,60% 9,54% 2,16% 0,22%
4189 573 516 117 12

Apesar de serem dos asiáticos serem apenas 1,4% da população e os negros 34,6% da população paulista (Censo 2010), o número de asiáticos e negros que ingressaram na USP em 2010 quase se igualam, o que demonstra que os negros ainda não tem acesso a Universidade de São Paulo e as medidas adotadas pela USP não foram e não são suficientes para alterar essa realidade, é necessário urgentemente que a USP adote as cotas raciais assim como fizeram outras universidades no país.

Ao lado da USP fica o distrito do Rio Pequeno que é onde fica o batalhão da PM que mais mata do Estado de São Paulo  o que evidência que onde estudam os filhos da elite paulista a repressão conta os negros e pobres se dá de forma ainda mais violenta,e  a favela São Remo que faz divisa com a USP, onde os estudante da USP vão comprar seu baseado na mão de jovens negros, sem se importar minimamente com as consequências desse ato e de como o narcotráfico ceifa a vida desses jovens.No mapa abaixo é aquele área altamente adensada próximo a USP, bem no centro do mapa. Infelizmente, como em todos os mapas feitos até agora, a região onde há grande concentração de negros são favelas.

Por fim, o mapa da USP e do distrito do Rio Pequeno:

 

USP E SAO REMO

Mapa racial da USP e do distrito do Rio Pequeno – Exibindo todos

 

 

USP E SAO REMO NEGRAS

Mapa racial da USP e do distrito do Rio Pequeno – Exibindo os negros

 

 

Mapa racial da USP e do distrito do Rio Pequeno – Exibindo os pretos

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18 comentários sobre “Onde estão os negros na USP?

  1. Parabéns pela pesquisa e pelos mapas-denúncias. Seus trabalhos são bastante interessantes e vem trazendo a tona de forma diferente e profunda a questão das desigualdades sociais que ainda impactam de forma negativa a nossa sociedade.

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