Um olhar atráves de mapas na política que barra negros e pobres na cidade do Rio de Janeiro

Em Agosto o Jornal Extra denunciou uma pratica da Polícia Militar do Rio de Janeiro de parar os ônibus que seguiam para a zona sul da cidade do Rio de Janeiro, os ônibus abordados eram em sua maioria provenientes da zona norte e do subúrbio do Rio de Janeiro.
Os jovens era removidos dos ônibus e encaminhados para o Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Ciaca), seu crime? tentar ir as praias da zona sul do Rio de Janeiro.
Como relata um jovem detido:

— Tiraram “nós” do ônibus pra sentar no chão sujo e entrar na Kombi. Acham que “nós” é ladrão só porque “nós” é preto — disse X., de 17 anos, morador do Jacaré, na Zona Norte.

Lendo as reportagens e depoimentos que saíram na época e observando as as fotos e vídeos, fica claro o critério racial nas abordagens e o racismo institucional da Polícia Militar do Rio de Janeiro, a maioria dos jovens retirados dos ônibus pela PM eram negros e pobres.

“Do grupo que havia sido retirado de um ônibus que chegava a Copacabana, só um rapaz era branco. Os outros 14 tinham o mesmo perfil: negros e pobres”

— Nós “estava” dentro do ônibus, não estava com nada. Nós “é” humilhado na favela e na “pista” — disparou Y., de 14 anos, que havia saído do Morro São João, no Engenho Novo, com quatro colegas.

A justificativa da PM é que os jovens estavam vulneráveis porém essa justificativa não se sustenta, pois como destaca o defensor público Rodrigo Azambuja:

– A situação de risco é quando a criança está na rua ou sendo explorada. Se ela estiver nessa situação, pode haver uma abordagem, mas da equipe de assistência social, não da polícia – diz Azambuja, acrescentando: – Isso (impedir que os adolescentes cheguem às praias da Zona Sul) é crime, está previsto no artigo 230 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbe “privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente.

O governador Pezão diz ‘Não chegarão à praia’ sobre os jovens que saem do subúrbio e se dirigem a zona sul. Segundo ele os jovens que são abordados saem com intenção de cometer infrações, ora, a não ser que o governo do RJ adquiriu precogs, não é possível afirmar que os jovens irão cometer infrações e por isso proibir seu acesso a praia.

O governador demonstra todo seu empenho em impedir a chegada dos jovens a praia da zona sul, 17 pontos de controle foram instalados nos acessos as praias da zona sul, como relata o coronel responsável pela operação “o  objetivo, segundo o coronel Lima Freire é garantir “o lazer público mais democrático que existe no mundo”, sabemos o que isso significa manter os jovens negros longe da zona sul do Rio de Janeiro.

A partir política do governador Luiz Pezão do Estado do Rio de Janeiro de proibir jovens negros irem a zona sul da cidade do Rio de Janeiro utilizando-se da PM para efetuar a medida e recebendo apoio de parte dos moradores da zona sul do rio, me veio a ideia de estudar a composição racial na zona sul e tentar entender porque em 2015 os jovens negros não são bem vindos nas praias da zona sul do Rio de Janeiro.

Primeiro elaborei os mapas raciais de pontos da zona sul da cidade do Rio de Janeiro, selecionei os distritos de Copacabana e Lagoa, que são formados pelos bairros de Copacabana, Leme, Ipanema, Leblon, Gávea, Jardim Botânico e Lagoa.

Região demonstrada nos mapas raciais

Região demonstrada nos mapas raciais

Os bairros acima estão entre os que possuem o metro quadrado mais caro do Brasil, sendo que Leblon, Ipanema, Lagoa, Gávea, Jardim Botânico são os primeiros da lista, ganhando inclusive dos bairros de São Paulo.

Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro

Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro

Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro

Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro

Assim como o mapa elaborado para o distrito do Morumbi São Paulo, na zona sul do Rio de Janeiro os brancos estão distribuídos e ocupando todo o território enquanto os pretos e pardos estão segregados nas favelas.

Os mapas a seguir ajudam a visualizar isso:

Exibindo apenas as pessoas pretas. Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro.

Exibindo apenas as pessoas pretas. Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro.

Exibindo apenas as pessoas pardas. Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro.

Exibindo apenas as pessoas pardas. Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro.

Exibindo apenas as pessoas pretas. Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro.

Exibindo apenas as pessoas pretas. Mapa racial de pontos da zona sul do Rio de Janeiro.

A partir dos mapas vemos que pretos e pardos estão concentrados em pequenas áreas, em sua maioria favelas, enquanto distribuição dos brancos é uniforme e ocupa todo o território. A partir disso, podemos entender a política do governo do Rio de Janeiro em impedir os pretos e pardos de chegarem a praia, é para manter a segregação racial já existente no Rio de Janeiro. Como próprio secretário de segurança pública disse “Um tiro em Copacabana é uma coisa. Na Favela da Coréia é outra”.

Lembrando as palavras do coronel responsável pela operação ““o lazer público mais democrático que existe no mundo” acho que podemos discordar e dizer que não há nada democrático nisso, quando pretos e pardos são impedidos de chegar as praias da zona sul.

E qual a composição racial da zona sul da Cidade do Rio de Janeiro? Dessa vez decidi fazer algo diferente, em vez de usar um gráfico de pizza para mostrar as porcentagens, optei por usar esses infográficos, eles representam um universo de 100 pessoas, onde cada pessoa equivale a 1%.

Composição racial - Cidade do Rio de Janeiro. Censo 2010

Composição racial – Cidade do Rio de Janeiro. Censo 2010

Composição racial - Zona sul do Rio de Janeiro, bairros: Copacabana, Leme, Ipanema, Leblon, Gávea, Jardim Botânico e Lagoa.

Composição racial – Zona sul do Rio de Janeiro, bairros: Copacabana, Leme, Ipanema, Leblon, Gávea, Jardim Botânico e Lagoa.

Composição racial - Bairro da Lagoa, zona sul do Rio de Janeiro

Composição racial – Bairro da Lagoa, zona sul do Rio de Janeiro

Composição racial - Morro do Cantagalo, zona sul do Rio de Janeiro

Composição racial – Morro do Cantagalo, zona sul do Rio de Janeiro

Como vocês puderam ver a quantidade de pretos e pardos é bem inferior na zona sul do que a média da cidade do Rio de Janeiro, já quando olhamos para o Morro do Cantagalo, a quantidade de pretos e pardos fica bem acima da média da cidade do Rio de Janeiro.  Por fim, no Bairro da Lagoa, quase não há pretos e pardos, os brancos são 91% da população, isso numa cidade onde a média de brancos é 50%, é evidente a segregação racial que os pretos e pardos sofrem na cidade no Rio de Janeiro.

Até o próximo post!

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