Os afetados pelo fechamento das farmácias públicas pela gestão Dória

O prefeito Dória e seu secretário Wilson Pollara tem como missão atual fechar as farmácias municipais e passar a distribuição gratuita de medicamentos para a iniciativa privada, atualmente a distribuição dos medicamentos é feita pelas farmácias localizadas nas Unidade Básica de Saúde (UBS) e  Assistência Médica Ambulatorial (AMA).

O discurso utilizado por Dória e e seu secretário Wilson Pollara é que o sistema atual não funciona, tem alto custo, problemas logísticos e existem faltas frequentes de medicamentos, sendo assim, a solução é passar a distribuição para as redes privadas que tem o conhecimento necessário para executar essa tarefa perfeitamente. Doria e Pollara querem que as grandes redes Drogaraia, Drogasil, Drogaria São Paulo e Onofre cuidem da distribuição dos medicamentos. Em entrevista, Pollara diz “Nós não conseguimos entregar remédio nas Unidades Básicas de Saúde. É impossível competir com a rede logística das farmácias (privadas).”, nesta mesma matéria são citadas as grandes redes novamente.

Em postagem no Facebook Dória escreve:

[…]o Programa Remédio Rápido, que fará com que as receitas sejam emitidas nas UBSs e a retirada dos remédios seja feita nas grandes redes de farmácias espalhadas pela cidade, com mais agilidade e praticidade. Já fizemos reuniões com vários grupos de empresas da área e, felizmente, a aderência tem sido surpreendentemente positiva.[…]

É de se estranhar essa postura de Dória, pois, se existe um problema de distribuição é necessário identificá-lo e resolvê-lo ao invés de simplesmente passar a distribuição para as redes privadas. Inclusive essa a opinião da promotora Dora Strilicherk ao investigar a falta de remédios na rede pública em 2016.

“[…]há mais problema de gestão do que de falta de recursos nos dois sistemas.As farmácias informam órgãos centrais que haverá falta de medicação, mas a compra não é feita na velocidade adequada, diz a promotora.”Cabe a quem está acima hierarquicamente pegar essa informação e tomar a providência cabível. Se é sabido que se pode ter problemas com os prazos, é preciso planejar. Se comprar antes, não vai faltar”, diz Strilicherk.”

Outro fato importante é que o Ministério Público enviou em Janeiro um ofício solicitando que”divulguem, em até 40 dias, quais medicamentos estão em falta(em cada unidade) e qual o prazo para que sejam repostos e voltem a ficar disponíveis para a população”. É curioso notar que a Secretaria Municipal de Saúde não tem sistematizado os medicamentos em falta e qual o prazo para repor mas sabe que a melhor saída é passar para a gestão privada essa responsabilidade. Em que dados Dória e Wilson Pollara se fundamentam?

A partir do exposto, criei alguns mapas para analisar quem serão os principais afetados pelo fechamentos das farmácias e a transferência da distribuição dos medicamentos para a rede privada.

Nos mapas utilizei as três maiores redes privadas de farmácias em São Paulo, que são Drogaria São Paulo, Drogasil e Drogaraia, todas são tratadas como uma grande rede privada nos mapas. Já na rede pública estão unificadas as UBS e as AMAS. O endereço das farmácias foram obtidos a partir do site delas e os da UBS e AMAS do portal Geosampa da prefeitura, depois cada endereço foi transformado em um ponto no mapa.

Vamos aos mapas:

Localização das farmácias da rede pública e privada em São Paulo.jpeg

Nos dois mapas abaixo temos a área de cobertura de cada estabelecimento, quanto menor o polígono melhor, pois significa que a distância até percorrida a farmácia é menor e também uma área de cobertura menor por unidade, o que evita superlotação e a demora no atendimento.

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Área de cobertura das farmácias públicas (UBS e AMA) na rede municipal em São Paulo

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Área de cobertura das principais redes de farmácias privadas em São Paulo

 

Em seguida dois mapas de calor comparando a presença das redes públicas e privadas, eles monstram aonde há uma concentração das farmácias, sendo o vermelho “mais quente”, amarelo o “morno” e o azul “o mais frio”.


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Mapa de calor das farmácias públicas da rede municipal em São Paulo


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Mapa de calor das principais redes de farmácias privadas em São Paulo


No mapa abaixo é analisado a distância que as pessoas terão que percorrer com o fechamento das farmácias das UBS e AMA pela gestão Dória.

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Distância da rede pública de farmácias para a rede privada mais próxima

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Presença das farmácias públicas nos distritos em São Paulo


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Presença das farmácias das redes privadas nos distritos em São Paulo

Pelos mapas acima fica claro que as grandes redes estão concentradas no centro e nas regiões mais ricas e que os mais afetados pelos fechamentos das farmácias públicas municipais serão as periferias, os mais pobres, aqueles que não podem arcar com um plano de saúde e dependem do SUS e o idosos. Dória inclusive tem planos para limitar o benefício do passe livre para os idosos, fazendo com que sejam duplamente afetados pela suas políticas.

Quando olhamos o que a Secretária de Municipal de Saúde fez nos últimos dois anos para aprimorar a logística dos medicamentos:

O processo logístico de uma Rede de Saúde Municipal composta por 976 unidades espalhadas em um território de 1.509 Km2[…]e que deve atender, potencialmente, cerca de 11 milhões de habitantes[…]

As 566 farmácias da Prefeitura de São Paulo são responsáveis por entregar 279 tipos de medicamentos, dispensando cerca de 28 milhões de receitas por ano – há 10 anos, em 2005, esse número era de 9.660.547. Entre medicamentos para dispensação, medicamentos para uso interno nas unidades de saúde e insumos em geral – luvas, aventais, etc –, a logística da SMS para Atenção Básica e Especializada movimenta 1.200 tipos de itens. Por ano, a logística da Secretaria transporta cerca de 2 bilhões de unidades de insumos e medicamentos, totalizando um valor de R$345 milhões em 2015, até novembro.

O núcleo duro dessas operações é a Central de Distribuição de Medicamentos e Correlatos (CDMEC), que fica no bairro do Jaguaré. Em um espaço de 13mil m², dez galpões armazenam todos os insumos, guardando diariamente cerca de R$ 90 milhões em produtos que chegam e saem quase ininterruptamente. Diariamente, 38 veículos climatizados circulam de 6h até 16h por toda a cidade.

As melhorias no sistema logístico e burocrático se traduzem em diminuição de custos – de até R$ 44,610 milhões potenciais para serem gastos na logística em 2015 até outubro, segundo um contrato flexível, a Prefeitura gastou apenas R$ 40,231 milhões. Foram economizados R$4,379 milhões para o Município, conferindo maior rapidez ao abastecimento das unidades e consequente maior acesso do cidadão aos medicamentos – entre junho e novembro deste ano, já houve uma queda de 65% nas queixas com relação à falta de medicamentos oferecidos pela Prefeitura na Ouvidoria Municipal.

[…]o reabastecimento às unidades já foi mensal e passou a quinzenal; agora, funciona a cada 8 dias úteis e deve passar a semanal, já havendo um piloto para testar o novo sistema em cinco unidades[…]

[…Esta maior precisão quanto ao consumo real das unidades também permitiu que a Prefeitura fizesse, pela primeira vez em 2015, um planejamento anual de compras de insumos e medicamentos. Para 2016, além de analisar históricos de estoque e consumo, esse planejamento anual incluirá também histórico e projeção de preços dos produtos.

O planejamento, além de possibilitar uma melhor visão aos gestores, permite que se reduzam as compras emergenciais, ou seja, feitas sem os procedimentos normais de licitação e quando há situação crítica de desabastecimento. Em 2015, a porcentagem de compras emergenciais foi de apenas 3%[…]

Ora, Dória e o Secretário Wilson Pollara dizem que o sistema não funciona mas não apresentam dados. Alegam que a prefeitura gasta 500 milhões de reais com logística por ano, enquanto a gestão passada diz que gastou 40,23 milhões de reais com logística de janeiro a outubro de 2015. A conta não fecha. De qual fonte o novo prefeito tirou este dado de 500 milhões gastos com logística? Dória precisa apresentar esses números e fontes. Além disso, há os medicamentos e insumos usados pelas equipes dentro das unidades básicas de saúde que são distribuídos pelo mesmo processo logístico dos medicamentos que Dória quer extinguir. O que Dória irá fazer para garantir nas UBSs esses insumos e medicamentos para os atendimentos? Irá mandar comprar nas farmácias privadas também?

São 1.200 tipos de itens e 279 tipos de medicamentos entregues pelas farmácias da prefeitura, dispensando cerca de 28 milhões de receitas por ano e transportando cerca de 2 bilhões de unidades de insumos e medicamentos.Você não pode simplesmente dizer que isso não funciona e passar para a iniciativa privada sem apresentar dados confiáveis e estudos.

Outro aspecto importante que destaca o Sindicato dos Farmacêuticos:

“A assistência farmacêutica não é somente entrega de remédio. Você perderá o acompanhamento farmacêutico junto à equipe multidisciplinar que atende às suas necessidades na unidade pública de saúde. Isso afetará, por exemplo, a retirada de medicamentos em casos de dúvidas sobre as receitas – hoje, os técnicos e farmacêuticos entram em contato diretamente com os outros profissionais e sanam os problemas com mais agilidade, evitando que o paciente tenha que retornar ao médico apenas para pegar uma nova receita.”

Por fim, Dória faz muita propaganda em cima do programa “Remédio Rápido na Farmácia Amiga” mas não responde perguntas básicas sobre o como será feito o controle, a fiscalização, o preço de compra desses medicamentos, como a população será atendida, entre outras questões. Sobretudo, não responde como lidará com a ausência de farmácias privadas nas periferias, e as consequências dessa ausência para a população.

Prêmio Almerinda Farias Gama

Em dezembro o blog foi premiado com uma menção honrosa no prêmio Almerinda Farias Gama concedido pela Secretária Municipal de Promoção da Igualdade Racial(SMPIR), foi uma imensa satisfação receber a menção da SMPIR, essa secretaria que foi um bastião de resistência e defesa das políticas de igualdade social  e que é conhecida e respeitada por conta do seu trabalho. Apesar da nova gestão reduzir o status da SMPIR para coordenação,tenho certeza que a luta pela igualdade racial continuará forte pois entre seus membros estão pessoas conhecidas pela sua militância e atuação política.

 

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Mapa racial de pontos da Cidade de São Paulo

No mapa racial de São Paulo podemos ver que existe um “vazio” no centro da cidade quando se trata de pessoas negras, já as pessoas brancas ocupam o território de forma uniforme. Já quando olhamos para as periferias, vemos que a maioria da população negra se concentra nela.

Nos próximos posts vou continuar tratando sobre a questão racial na cidade São Paulo, dada a dimensão da cidade e da população, apenas um post não é suficiente, cruzarei dados de diversas fontes com os mapas raciais e postarei mapas por zonas para vermos como se dá a distribuição internamente nas regiões da cidade.

A seguir os mapas raciais da cidade de São Paulo:

 

Mapa racial de pontos cidade de São Paulo

Mapa racial da cidade de São Paulo


 

Mapa racial de pontos cidade de São Paulo

Mapa racial da cidade de São Paulo – Exibindo as pessoas pretas


 

Mapa racial da cidade de São Paulo

Mapa racial da cidade de São Paulo – Exibindo as pessoas pardas


 

Mapa racial da cidade de São Paulo - Exibindo as pessoas pretas

Mapa racial da cidade de São Paulo – Exibindo as pessoas brancas

 

A estreita relação entre raça, renda e local de moradia

“O lugar natural do grupo branco dominante são moradias amplas, espaçosas, situadas nos mais belos recantos da cidade ou do campo e devidamente protegidas por diferentes tipos de policiamento: desde os antigos feitores, capitães do mato, capangas, etc., até a polícia formalmente constituída. Desde a casa-grande e do sobrado, aos belos edifícios e residências atuais, o critério tem sido sempre o mesmo. Já o lugar natural do negro é o oposto, evidentemente: da senzala às favelas, cortiços, porões, invasões, alagados e conjuntos “habitacionais” (cujos modelos são os guetos dos países desenvolvidos) dos dias de hoje, o critério também tem sido simetricamente o mesmo: a divisão racial do espaço.”

Lélia Gonzalez – Lugar de negro

Em todos os mapas feitos até agora é visível que os negros ficam concentrados a certos espaços enquanto os brancos ocupam o território de forma uniforme. Os negros ocupam em sua maioria as periferias, as favelas e os conjuntos habitacionais, mesmo nos bairros ricos quando há concentração de negros eles estão restritos as favelas ou aos conjuntos habitacionais.

A partir da constatação acima, criei novos mapas de pontos para a zona sul do Rio de Janeiro, dessa vez comparando a raça das pessoas que vivem ali com a renda familiar per capita naquele setor. O objetivo é analisar a relação entre raça, renda e local de moradia na zona sul do Rio de Janeiro e responder se os negros além de morarem em locais mais precários que os brancos, ainda tem condições econômicas piores que eles.

Todos os dados foram obtidos a partir do censo do IBGE de 2010.

As classes sociais A, B, C, D e E foram definidas a partir dos dados do IBGE, utilizando a renda per capita em salários mínimos(SM) como parâmetro para a divisão das classes. O salário mínimo em 2010 era  R$510,00.

Classe: Renda:
A > 10 SM
B 5 a 10 SM
C 2 a 5 SM
D 1 a 2 SM
E 1/8 a 1 SM

 

Vamos aos mapas:

(clique na imagem para visualizar em tamanho real)

Pretos, Pardos e Brancos - satelite

Exibindo os Pretos, Pardos e Brancos


CLASSE A e B x D e E - SATELITE

Exibindo as Classes A e B x D e E


 

CLASSE D e E - SATELITE

Exibindo as Classes D e E


CLASSE A e B  - SATELITE

Exibindo as Classes A e B


A partir dos mapas acima vemos que os negros e as classes D e E se concentram nas mesmas regiões da zona sul, regiões estas que são favelas em sua maioria. Olhando a imagem que exibe apenas as classes A e B vemos que existe um “vazio” no mapa, esse “vazio” é onde se concentram as classe D e E,  que é o mesmo espaço ocupados pelos negros na zona sul do Rio de Janeiro, os morros. Já quando fazemos o exercício inverso e olhamos o mapa que exibe apenas a classes D e E, o “vazio” é agora na praia, em Copacabana e Ipanema, esses locais são ocupados pelas classes A e B, que é majoritariamente branca.

A seguir mais alguns mapas comparando raça, renda e local de moradia:

Classes A, B, C, D, E - Rio de Janeiro

Exibindo as Classes A, B, C, D e E


Pretos, Pardos e Brancos - Rio de Janeiro

Exibindo os Pretos, Pardos e Brancos


Classes A e B x D e E - Rio de Janeiro

Classes A e B x D e E


Pretos e Pardos x Classes A e B - Rio de Janeiro

Pretos e Pardos x Classes A e B


Brancos x Classes D e E - Rio de Janeiro

Brancos x Classes D e E


Pretos e Pardos x Classe D e E - Rio de Janeiro

Pretos e Pardos x Classes D e E


 

Pretos e Classe E - Rio de Janeiro

Pretos x Classe E


 

Brancos e Classe A - Rio de Janeiro

Brancos x Classe A


Classes D e E - Rio de Janeiro

Classes D e E


Classes A e B - Rio de Janeiro

Classes A e B


CLASSE A

Exibindo a Classe A


CLASSE C

Exibindo a Classe C


CLASSE E

Exibindo a Classe E


Onde estão as mulheres negras na USP?

No último post abordei a distribuição por gênero nos cursos da USP e de como eles refletem a visão da sociedade de “profissões de homens” e “profissões de mulheres”, entretanto o post ficou incompleto (o que foi lembrado pelos leitores nos comentários) ele não abordou o fato que além da divisão por gênero, existe ainda a divisão por gênero e raça.

As mulheres negras sofrem um preconceito duplo, são vítimas do racismo e do machismo e  de todas consequências sociais desse preconceito, o não acesso ao ensino superior é uma das manifestações desse preconceito  duplo, que perpassa pela falta de acesso a educação, saúde,  moradia de qualidade,condições de trabalho e violência:

“Dados de violência contra mulheres negras são um exemplo do quanto elas estão vulneráveis. Segundo o “Mapa da Violência 2015 – Homicídios de Mulheres no Brasil”, divulgados em 9 de novembro, a ocorrência de assassinatos de negras aumentou 54,2% em 10 anos (2003 – 2013), enquanto que número de homicídios de mulheres brancas no mesmo período caiu 9,8%.”

A USP mantém esse duplo preconceito com as mulheres negras, por mais que exista a divisão de gênero entre os cursos, as mulheres brancas ainda conseguem ter acesso a USP, para as mulheres negras a situação é ainda pior, elas não conseguem ao menos ter acesso a USP a não ser que para trabalhar como terceirizadas da limpeza ou segurança.

Como destaca a Stephanie Ribeiro:

“A mulher negra é o símbolo da marginalização. Além do machismo, enfrenta o racismo. Nós somos, numa escala de hierarquia, três vezes mais atingidas pela violência e a discriminação. Se as mulheres brancas são ‘privilegiadas’ de certa forma pela cor da pele, e os homens negros, pelo machismo, as mulheres negras sofrem mais”.

Em novembro de 2015 houve a Marcha das Mulheres Negras que foram até Brasília exigir políticas públicas voltadas para as mulheres negras. Iêda Leal, secretária de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) destaca:

“As mulheres negras estão marchando para dar voz à nossa reação, mostrando que chega e que não vamos mais aceitar e nos conformar com a situação”, diz Iêda. “O racismo é crime e existe no Brasil. Queremos iniciar um debate nas escolas, queremos que o Estado nos proteja com ações afirmativas, seja nas áreas de saúde, trabalho, moradia como na segurança.”

Alzira Rufino, coordenadora da Casa de Cultura da Mulher Negra, fala sobre as dificuldades enfrentadas pela mulher negra no Brasil:

“Eu ouço relatos todos os dias, todas as horas, de uma grande discriminação em todas as áreas. A mulher negra, a meu ver, é tratada de maneira pejorativa pelas pessoas e no mercado de trabalho”.

“Ela pode ter curso universitário, mestrado, mas não consegue emprego devido à cor da pele, ao tipo do cabelo, a sua maneira de ser. Elas não conseguem entrar em uma loja no shopping sem receberem olhares desconfiados.”

“Somos muito mais fáceis de se exterminar. As mulheres negras são mortas por facadas, e isso é um assunto extremamente sério. O Brasil ainda não abriu os olhos para isso.”

“As mulheres negras estão se rebelando. Ainda há muito a fazer e pouco a se comemorar. Agora é que o assunto começa a ser visto com mais seriedade. Todas nós, mulheres negras, vamos resistir.”

*As falas acima são da reportagem de Tahiane Stochero para o G1.

No último post coloquei uma tabela com os cursos onde haviam mais mulheres e os cursos que haviam menos mulheres, posto novamente as mesmas tabelas com uma coluna a mais que mostra a porcentagem de mulheres negras nesse total de mulheres.

Fica evidente que mesmo nos cursos com maior porcentagem de mulheres, a quantidade de mulheres negras não acompanha essa proporção, como é o caso de Fisioterapia por exemplo, que não há nenhuma mulher negra apesar do curso ser formado por 80% de mulheres ou Turismo e Editoração que são formados por 75% de mulheres mas que só possuem uma mulher negra entre suas alunas ou Medicina Veterinária, que entre suas 103 alunas só possuem 5 negras.

Cursos com maior porcentagem de mulheres:

Curso Total de Mulheres % Mulheres negras
   
Terapia Ocupacional 92,00% 9,00%
Fonoaudiologia 92,00% 13,00%
Relações Públicas 84,00% 12,00%
Pedagogia 81,67% 14,00%
Fisioterapia 80,00% 0,00%
Turismo 76,67% 4,00%
Editoração 75,00% 7,00%
Medicina Veterinária 73,57% 5,00%
Arquitetura e urbanismo 70,00% 7,00%

Cursos com menor porcentagem de mulheres:

Curso Total de Mulheres % Mulheres negras
Esporte 22,00% 9,00%
Matemática 20,00% 17,00%
Matemática Aplicada 20,00% 25,00%
Física 19,38% 19,00%
Ciências da Computação 18,00% 11,00%
Engenharia Elétrica 14,29% 15,00%
Matemática Aplicada e Computacional 14,00% 14,00%
Geologia 12,00% 17,00%
Engenharia da Computação e Elétrica 8,57% 17,00%
Engenharia Mecânica – Automação e Sistemas 8,33% 0,00%
Engenharia Mecânica e Engenharia Naval 7,27% 13,00%

Vamos aos mapas:

Mulheres não negras na USP

Exibindo as mulheres não negras na USP


 

Mulheres negras e não negras na USP

Exibindo as mulheres negras na USP


 

Mulheres negras e não negras na USP

Exibindo as mulheres negras e não negras na USP


 

Homens não negros na USP

Exibindo os homens não negros na USP


 

Homens negros na USP

Exibindo os homens negros na USP


 

Homens negros e não negros na USP

Exibindo os homens negros e não negros na USP

**Na legenda usei os termos não negro e não negra para identificar no mesmo grupo pessoas brancas e amarelas,  pois no Brasil eles são lidos socialmente de maneira semelhante.

Distribuição por gênero nos cursos da USP

 

Depois do post sobre a ausência de negros na USP e a vez de demostrar através dos mapas a distribuição de gênero nos cursos da USP. Algum tempo atrás andando pela FFLCH eu vi um cartaz que chamava para uma debate sobre a distribuição desigual de homens e mulheres na USP, o cartaz destacava que a quantidade de mulheres era bem maior no curso de Letras do que nos cursos de Engenharia e como o machismo da sociedade tinha forte influencia nessa desigualdade. Infelizmente não lembro o nome do coletivo que fez o cartaz.

Minha formação inicial é em TI, uma área majoritariamente formada por homens, no meu curso de 30 alunos, apenas 5 eram mulheres, nos estágios e trabalhos na área esse cenário mantinha-se, a maioria dos profissionais de TI são homens, felizmente esse cenário vem mudando nos últimos anos. Movimentos como o Delete o seu Preconceito e o Programaria surgiram para denunciar o preconceito sofrido pelas mulheres na área de TI e também para unir e formar as mulheres da área, inclusive, no Campus Party de 2015 houve uma mesa para tratar o assunto de mulheres na TI e o preconceito que precisam enfrentar.

A partir do relatório de avaliação socioeconômica da Fuvest, podemos ver como é desigual a distribuição de homens e mulheres nos cursos e de como a visão da sociedade de “profissões de homens” e “profissões de mulheres” se materializa nessa divisão desigual.

 Porcentagem de mulheres ingressantes nos cursos:

Curso PORCENTAGEM
Fonoaudiologia 92,00%
Terapia Ocupacional 92,00%
Relações Públicas 84,00%
Pedagogia 81,67%
Fisioterapia 80,00%
Turismo 76,67%
Editoração 75,00%
Medicina Veterinária 73,57%
Arquitetura e urbanismo 70,00%
Esporte 22,00%
Matemática 20,00%
Matemática Aplicada 20,00%
Física 19,38%
Ciências da Computação 18,00%
Engenharia Elétrica 14,29%
Matemática Aplicada e Computacional 14,00%
Geologia 12,00%
Engenharia da Computação e Elétrica 8,57%
Engenharia Mecânica – Automação e Sistemas 8,33%
Engenharia Mecânica e Engenharia Naval 7,27%

Não coloquei todos os cursos para não ficar muito extenso, mas a partir do exposto já é possível ter uma boa ideia da divisão por gêneros nos cursos da USP.

 

Vamos aos mapas:

(clique na imagem para ampliar)

 

USP GENERO

Exibindo masculino e feminino

 

FEMININO - USP

Exibindo feminino

 

MASCULINO - USP

Exibindo masculino