Mapa racial de pontos da Cidade de São Paulo

No mapa racial de São Paulo podemos ver que existe um “vazio” no centro da cidade quando se trata de pessoas negras, já as pessoas brancas ocupam o território de forma uniforme. Já quando olhamos para as periferias, vemos que a maioria da população negra se concentra nela.

Nos próximos posts vou continuar tratando sobre a questão racial na cidade São Paulo, dada a dimensão da cidade e da população, apenas um post não é suficiente, cruzarei dados de diversas fontes com os mapas raciais e postarei mapas por zonas para vermos como se dá a distribuição internamente nas regiões da cidade.

A seguir os mapas raciais da cidade de São Paulo:

 

Mapa racial de pontos cidade de São Paulo

Mapa racial da cidade de São Paulo


 

Mapa racial de pontos cidade de São Paulo

Mapa racial da cidade de São Paulo – Exibindo as pessoas pretas


 

Mapa racial da cidade de São Paulo

Mapa racial da cidade de São Paulo – Exibindo as pessoas pardas


 

Mapa racial da cidade de São Paulo - Exibindo as pessoas pretas

Mapa racial da cidade de São Paulo – Exibindo as pessoas brancas

 

A estreita relação entre raça, renda e local de moradia

“O lugar natural do grupo branco dominante são moradias amplas, espaçosas, situadas nos mais belos recantos da cidade ou do campo e devidamente protegidas por diferentes tipos de policiamento: desde os antigos feitores, capitães do mato, capangas, etc., até a polícia formalmente constituída. Desde a casa-grande e do sobrado, aos belos edifícios e residências atuais, o critério tem sido sempre o mesmo. Já o lugar natural do negro é o oposto, evidentemente: da senzala às favelas, cortiços, porões, invasões, alagados e conjuntos “habitacionais” (cujos modelos são os guetos dos países desenvolvidos) dos dias de hoje, o critério também tem sido simetricamente o mesmo: a divisão racial do espaço.”

Lélia Gonzalez – Lugar de negro

Em todos os mapas feitos até agora é visível que os negros ficam concentrados a certos espaços enquanto os brancos ocupam o território de forma uniforme. Os negros ocupam em sua maioria as periferias, as favelas e os conjuntos habitacionais, mesmo nos bairros ricos quando há concentração de negros eles estão restritos as favelas ou aos conjuntos habitacionais.

A partir da constatação acima, criei novos mapas de pontos para a zona sul do Rio de Janeiro, dessa vez comparando a raça das pessoas que vivem ali com a renda familiar per capita naquele setor. O objetivo é analisar a relação entre raça, renda e local de moradia na zona sul do Rio de Janeiro e responder se os negros além de morarem em locais mais precários que os brancos, ainda tem condições econômicas piores que eles.

Todos os dados foram obtidos a partir do censo do IBGE de 2010.

As classes sociais A, B, C, D e E foram definidas a partir dos dados do IBGE, utilizando a renda per capita em salários mínimos(SM) como parâmetro para a divisão das classes. O salário mínimo em 2010 era  R$510,00.

Classe: Renda:
A > 10 SM
B 5 a 10 SM
C 2 a 5 SM
D 1 a 2 SM
E 1/8 a 1 SM

 

Vamos aos mapas:

(clique na imagem para visualizar em tamanho real)

Pretos, Pardos e Brancos - satelite

Exibindo os Pretos, Pardos e Brancos


CLASSE A e B x D e E - SATELITE

Exibindo as Classes A e B x D e E


 

CLASSE D e E - SATELITE

Exibindo as Classes D e E


CLASSE A e B  - SATELITE

Exibindo as Classes A e B


A partir dos mapas acima vemos que os negros e as classes D e E se concentram nas mesmas regiões da zona sul, regiões estas que são favelas em sua maioria. Olhando a imagem que exibe apenas as classes A e B vemos que existe um “vazio” no mapa, esse “vazio” é onde se concentram as classe D e E,  que é o mesmo espaço ocupados pelos negros na zona sul do Rio de Janeiro, os morros. Já quando fazemos o exercício inverso e olhamos o mapa que exibe apenas a classes D e E, o “vazio” é agora na praia, em Copacabana e Ipanema, esses locais são ocupados pelas classes A e B, que é majoritariamente branca.

A seguir mais alguns mapas comparando raça, renda e local de moradia:

Classes A, B, C, D, E - Rio de Janeiro

Exibindo as Classes A, B, C, D e E


Pretos, Pardos e Brancos - Rio de Janeiro

Exibindo os Pretos, Pardos e Brancos


Classes A e B x D e E - Rio de Janeiro

Classes A e B x D e E


Pretos e Pardos x Classes A e B - Rio de Janeiro

Pretos e Pardos x Classes A e B


Brancos x Classes D e E - Rio de Janeiro

Brancos x Classes D e E


Pretos e Pardos x Classe D e E - Rio de Janeiro

Pretos e Pardos x Classes D e E


 

Pretos e Classe E - Rio de Janeiro

Pretos x Classe E


 

Brancos e Classe A - Rio de Janeiro

Brancos x Classe A


Classes D e E - Rio de Janeiro

Classes D e E


Classes A e B - Rio de Janeiro

Classes A e B


CLASSE A

Exibindo a Classe A


CLASSE C

Exibindo a Classe C


CLASSE E

Exibindo a Classe E


Onde estão as mulheres negras na USP?

No último post abordei a distribuição por gênero nos cursos da USP e de como eles refletem a visão da sociedade de “profissões de homens” e “profissões de mulheres”, entretanto o post ficou incompleto (o que foi lembrado pelos leitores nos comentários) ele não abordou o fato que além da divisão por gênero, existe ainda a divisão por gênero e raça.

As mulheres negras sofrem um preconceito duplo, são vítimas do racismo e do machismo e  de todas consequências sociais desse preconceito, o não acesso ao ensino superior é uma das manifestações desse preconceito  duplo, que perpassa pela falta de acesso a educação, saúde,  moradia de qualidade,condições de trabalho e violência:

“Dados de violência contra mulheres negras são um exemplo do quanto elas estão vulneráveis. Segundo o “Mapa da Violência 2015 – Homicídios de Mulheres no Brasil”, divulgados em 9 de novembro, a ocorrência de assassinatos de negras aumentou 54,2% em 10 anos (2003 – 2013), enquanto que número de homicídios de mulheres brancas no mesmo período caiu 9,8%.”

A USP mantém esse duplo preconceito com as mulheres negras, por mais que exista a divisão de gênero entre os cursos, as mulheres brancas ainda conseguem ter acesso a USP, para as mulheres negras a situação é ainda pior, elas não conseguem ao menos ter acesso a USP a não ser que para trabalhar como terceirizadas da limpeza ou segurança.

Como destaca a Stephanie Ribeiro:

“A mulher negra é o símbolo da marginalização. Além do machismo, enfrenta o racismo. Nós somos, numa escala de hierarquia, três vezes mais atingidas pela violência e a discriminação. Se as mulheres brancas são ‘privilegiadas’ de certa forma pela cor da pele, e os homens negros, pelo machismo, as mulheres negras sofrem mais”.

Em novembro de 2015 houve a Marcha das Mulheres Negras que foram até Brasília exigir políticas públicas voltadas para as mulheres negras. Iêda Leal, secretária de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) destaca:

“As mulheres negras estão marchando para dar voz à nossa reação, mostrando que chega e que não vamos mais aceitar e nos conformar com a situação”, diz Iêda. “O racismo é crime e existe no Brasil. Queremos iniciar um debate nas escolas, queremos que o Estado nos proteja com ações afirmativas, seja nas áreas de saúde, trabalho, moradia como na segurança.”

Alzira Rufino, coordenadora da Casa de Cultura da Mulher Negra, fala sobre as dificuldades enfrentadas pela mulher negra no Brasil:

“Eu ouço relatos todos os dias, todas as horas, de uma grande discriminação em todas as áreas. A mulher negra, a meu ver, é tratada de maneira pejorativa pelas pessoas e no mercado de trabalho”.

“Ela pode ter curso universitário, mestrado, mas não consegue emprego devido à cor da pele, ao tipo do cabelo, a sua maneira de ser. Elas não conseguem entrar em uma loja no shopping sem receberem olhares desconfiados.”

“Somos muito mais fáceis de se exterminar. As mulheres negras são mortas por facadas, e isso é um assunto extremamente sério. O Brasil ainda não abriu os olhos para isso.”

“As mulheres negras estão se rebelando. Ainda há muito a fazer e pouco a se comemorar. Agora é que o assunto começa a ser visto com mais seriedade. Todas nós, mulheres negras, vamos resistir.”

*As falas acima são da reportagem de Tahiane Stochero para o G1.

No último post coloquei uma tabela com os cursos onde haviam mais mulheres e os cursos que haviam menos mulheres, posto novamente as mesmas tabelas com uma coluna a mais que mostra a porcentagem de mulheres negras nesse total de mulheres.

Fica evidente que mesmo nos cursos com maior porcentagem de mulheres, a quantidade de mulheres negras não acompanha essa proporção, como é o caso de Fisioterapia por exemplo, que não há nenhuma mulher negra apesar do curso ser formado por 80% de mulheres ou Turismo e Editoração que são formados por 75% de mulheres mas que só possuem uma mulher negra entre suas alunas ou Medicina Veterinária, que entre suas 103 alunas só possuem 5 negras.

Cursos com maior porcentagem de mulheres:

Curso Total de Mulheres % Mulheres negras
   
Terapia Ocupacional 92,00% 9,00%
Fonoaudiologia 92,00% 13,00%
Relações Públicas 84,00% 12,00%
Pedagogia 81,67% 14,00%
Fisioterapia 80,00% 0,00%
Turismo 76,67% 4,00%
Editoração 75,00% 7,00%
Medicina Veterinária 73,57% 5,00%
Arquitetura e urbanismo 70,00% 7,00%

Cursos com menor porcentagem de mulheres:

Curso Total de Mulheres % Mulheres negras
Esporte 22,00% 9,00%
Matemática 20,00% 17,00%
Matemática Aplicada 20,00% 25,00%
Física 19,38% 19,00%
Ciências da Computação 18,00% 11,00%
Engenharia Elétrica 14,29% 15,00%
Matemática Aplicada e Computacional 14,00% 14,00%
Geologia 12,00% 17,00%
Engenharia da Computação e Elétrica 8,57% 17,00%
Engenharia Mecânica – Automação e Sistemas 8,33% 0,00%
Engenharia Mecânica e Engenharia Naval 7,27% 13,00%

Vamos aos mapas:

Mulheres não negras na USP

Exibindo as mulheres não negras na USP


 

Mulheres negras e não negras na USP

Exibindo as mulheres negras na USP


 

Mulheres negras e não negras na USP

Exibindo as mulheres negras e não negras na USP


 

Homens não negros na USP

Exibindo os homens não negros na USP


 

Homens negros na USP

Exibindo os homens negros na USP


 

Homens negros e não negros na USP

Exibindo os homens negros e não negros na USP

**Na legenda usei os termos não negro e não negra para identificar no mesmo grupo pessoas brancas e amarelas,  pois no Brasil eles são lidos socialmente de maneira semelhante.

Distribuição por gênero nos cursos da USP

 

Depois do post sobre a ausência de negros na USP e a vez de demostrar através dos mapas a distribuição de gênero nos cursos da USP. Algum tempo atrás andando pela FFLCH eu vi um cartaz que chamava para uma debate sobre a distribuição desigual de homens e mulheres na USP, o cartaz destacava que a quantidade de mulheres era bem maior no curso de Letras do que nos cursos de Engenharia e como o machismo da sociedade tinha forte influencia nessa desigualdade. Infelizmente não lembro o nome do coletivo que fez o cartaz.

Minha formação inicial é em TI, uma área majoritariamente formada por homens, no meu curso de 30 alunos, apenas 5 eram mulheres, nos estágios e trabalhos na área esse cenário mantinha-se, a maioria dos profissionais de TI são homens, felizmente esse cenário vem mudando nos últimos anos. Movimentos como o Delete o seu Preconceito e o Programaria surgiram para denunciar o preconceito sofrido pelas mulheres na área de TI e também para unir e formar as mulheres da área, inclusive, no Campus Party de 2015 houve uma mesa para tratar o assunto de mulheres na TI e o preconceito que precisam enfrentar.

A partir do relatório de avaliação socioeconômica da Fuvest, podemos ver como é desigual a distribuição de homens e mulheres nos cursos e de como a visão da sociedade de “profissões de homens” e “profissões de mulheres” se materializa nessa divisão desigual.

 Porcentagem de mulheres ingressantes nos cursos:

Curso PORCENTAGEM
Fonoaudiologia 92,00%
Terapia Ocupacional 92,00%
Relações Públicas 84,00%
Pedagogia 81,67%
Fisioterapia 80,00%
Turismo 76,67%
Editoração 75,00%
Medicina Veterinária 73,57%
Arquitetura e urbanismo 70,00%
Esporte 22,00%
Matemática 20,00%
Matemática Aplicada 20,00%
Física 19,38%
Ciências da Computação 18,00%
Engenharia Elétrica 14,29%
Matemática Aplicada e Computacional 14,00%
Geologia 12,00%
Engenharia da Computação e Elétrica 8,57%
Engenharia Mecânica – Automação e Sistemas 8,33%
Engenharia Mecânica e Engenharia Naval 7,27%

Não coloquei todos os cursos para não ficar muito extenso, mas a partir do exposto já é possível ter uma boa ideia da divisão por gêneros nos cursos da USP.

 

Vamos aos mapas:

(clique na imagem para ampliar)

 

USP GENERO

Exibindo masculino e feminino

 

FEMININO - USP

Exibindo feminino

 

MASCULINO - USP

Exibindo masculino

 

 

Onde estão os negros na USP?

A Universidade de São Paulo é branca, seus alunos e professores são brancos, os negros são minoria na USP, só são maioria entre os funcionários terceirizados da limpeza, segurança, alimentação, com condições de trabalho precárias, atraso de salários e outros ilegalidades denunciadas inúmeras vezes pelos funcionários e pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP.

A ideia de criar o mapa sobre a distribuição dos negros na USP surgiu depois de começar a pensar sobre novas formas de usar os mapas de pontos. Conversando com amigos que também são da Geografia sobre a ausência de professores negros e o desconhecimento e/ou falta de interesse sobre a situação do negro e a questão racial no Brasil, a ideia foi tomando forma.

Em outra conversa, falávamos sobre como a nossa percepção da USP era influenciada pelo ambiente da Geografia, explico, na Geografia há uma quantidade grande de alunos negros e alunos de baixa renda em comparação com restante da USP, sendo assim, tínhamos a falsa impressão de que as coisas haviam melhorado na USP desde que entramos, o que não é verdade.

 A USP possui dois programas de ações afirmativas, o Programa de Inclusão Social da USP(INCLUSP) e o Programa de Avaliação Seriada (PASUSP), que foram criados em 2006 mas que passam longe de atender a demanda por igualdade racial na USP.O Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) da IESP-UERJ lançou na sua revista uma execelente análise sobre o INCLUSP,  ela está disponível aqui.

Após ler o estudo da GEMAA, fica claro que os “programas” de inclusão sociais da USP são extremamente falhos e que desde a sua criação em 2006 não houveram avanços significativos, já que não incluem cotas nem critérios de renda familiar, apenas um critério racial que concede um bônus adicional de 5% na nota final e um critério de escola pública que permite que alunos de alta renda recebam bônus por terem estudados em escola pública.

Como demonstra essa reportagem do G1 não há calouros pretos em 6 das 10 carreiras mais concorridas da Fuvest. A reposta da Fuvest sobre a reportagem é risível e usa de um artifício para parecer que houve um aumento significativo, ela não fala o número real do aumento, quantos alunos entraram a mais que 2014, apenas a porcentagem: “número de alunos matriculados que se declararam pretos, pardos e indígenas (PPI) cresceu 8,4% em comparação a 2014. Ressalte-se, também, que está em andamento a discussão sobre as novas formas de ingresso na Universidade”.”

Agora os mapas, eles mostram a composição racial dos ingressantes na USP em 2010, no campus da Cidade Universitária, os dados são da FUVEST, do Relatório de Avaliação Socioeconômica. Porque 2010? por dois motivos, porque tinha que começa de algum lugar e nada melhor que começar pelo ano em que houve o último Censo e também para posteriormente ver como foram as mudanças no passar dos anos, o segundo motivo é porque é o ano em que entrei na USP.

A metodologia, cada ponto representa uma pessoa, no mapa os pontos aparecem nos prédios didáticos (onde são as aulas) das faculdades, um ou outro pode estar em outro prédio que não seja didático porque não consegui identificar pelo Google Maps, Open Street Map e o mapa da USP qual era o prédio didático. isso não altera em nada o resultado.

Os mapas também estão no Flickr, acesse aqui.

Clique na imagem para ampliar:

USP COM FACULDADES

Mapa racial da USP – Exibindo todos


 

BRANCOS

Mapa racial da USP – Exibindo os brancos


 

AMARELOS

Mapa racial da USP – Exibindo os amarelos


 

PARDOS

Mapa racial da USP – Exibindo os pardos


 

PRETOS

Mapa racial da USP – Exibindo os pretos


 

INDIGENAS

Mapa racial da USP – Exibindo os indígenas


 

Fica claro após visualizar os mapas que a maioria dos alunos da USP que entraram na USP em 2010 são brancos(77,5%), seguidos dos pardos (10,6%), asiáticos (9,54%), pretos (2,16%) e indígenas (0,22%).

Brancos Pardos Amarelos Pretos Indígena
77,47% 10,60% 9,54% 2,16% 0,22%
4189 573 516 117 12

Apesar de serem dos asiáticos serem apenas 1,4% da população e os negros 34,6% da população paulista (Censo 2010), o número de asiáticos e negros que ingressaram na USP em 2010 quase se igualam, o que demonstra que os negros ainda não tem acesso a Universidade de São Paulo e as medidas adotadas pela USP não foram e não são suficientes para alterar essa realidade, é necessário urgentemente que a USP adote as cotas raciais assim como fizeram outras universidades no país.

Ao lado da USP fica o distrito do Rio Pequeno que é onde fica o batalhão da PM que mais mata do Estado de São Paulo  o que evidência que onde estudam os filhos da elite paulista a repressão conta os negros e pobres se dá de forma ainda mais violenta,e  a favela São Remo que faz divisa com a USP, onde os estudante da USP vão comprar seu baseado na mão de jovens negros, sem se importar minimamente com as consequências desse ato e de como o narcotráfico ceifa a vida desses jovens.No mapa abaixo é aquele área altamente adensada próximo a USP, bem no centro do mapa. Infelizmente, como em todos os mapas feitos até agora, a região onde há grande concentração de negros são favelas.

Por fim, o mapa da USP e do distrito do Rio Pequeno:

 

USP E SAO REMO

Mapa racial da USP e do distrito do Rio Pequeno – Exibindo todos

 

 

USP E SAO REMO NEGRAS

Mapa racial da USP e do distrito do Rio Pequeno – Exibindo os negros

 

 

Mapa racial da USP e do distrito do Rio Pequeno – Exibindo os pretos

Mapa racial de Salvador – Bahia

Depois da cidade do Rio de Janeiro, é a vez do mapa de Salvador, cidade que infelizmente ainda não conheci.Pesquisando sobre Salvador para saber mais sobre os bairros, vi que a Zona Sul é a parte mais rica, assim como no Rio de Janeiro, bairros como Vitória, Barra, Ondina possuem o metro quadrado mais caro de Salvador.

Salvador é considerada a cidade mais negra fora da África.Porém como vocês verão nos mapas abaixo, a segregação racial se faz presente na cidade, na cidade mais negra fora da África, os negros são minorias nas partes ricas da cidade.

O diretor Spike Lee em visita recente ao Brasil perguntou:

” por que Salvador, cidade de população predominantemente negra, nunca teve um prefeito, governador ou senadores negros?”

O neurocientista Carl Hart também falou sobre sua percepção sobre Salvador:

“A minha impressão inicial é de que eu estou muito orgulhoso de ver essas pessoas negras, bonitas, mas por outro lado estou triste de ver que negras e negras, aqui, têm uma autoridade política tão reduzida. O destino de negros e negras, aqui, parece estar nas mãos de pessoas brancas, que têm pouca compreensão do negro, da negra e de sua cultura. Então, para concluir, eu diria que tenho sentimentos ambíguos em relação a Bahia. Estou intensamente orgulhoso, e ao mesmo tempo, profundamente triste. “

Para terminar, Angela Davis também falou sobre a falta de representatividade dos negros no Brasil:

“Não posso falar com autoridade no Brasil, mas às vezes não é preciso ser especialista para perceber que alguma coisa está errada em um país cuja maioria é negra e a representação é majoritariamente branca”

[…] “Sempre assisto TV no Brasil para ver como o país se representa e a TV brasileira nunca permitiu que se pensasse que a população é majoritariamente negra”.

Como relata uma matéria do Pragmatismo Político:

“Em um país onde 50,7% da população é negra ou parda, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), menos de 10% dos parlamentares federais são desses grupos, como mostra um estudo da Transparência Brasil.

Segundo o Censo do Poder Judiciário divulgado mês passado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 1,4% dos magistrados brasileiros se autodeclaram pretos.”

O mapa que usei para identificar os bairros de Salvador:

novosbairros

Mapa dos bairros de Salvador

 


 

04.Salvador - sem bordas

Mapa racial de pontos – Salvador – Bahia


 

Mapa Racial de Salvador

Cidade de Salvador – Satélite

 


 

Mapa Salvador - Pretas

Exibindo apenas as pessoas pretas.

 


 

Mapa Salvador - Pardas

Exibindo apenas as pessoas pardas.

 


 

Mapa Salvador - Brancas

Exibindo apenas as pessoas brancas.